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CNU 2027: terceira edição do concurso unificado deve ter até 3 mil vagas

A seleção está prevista para o segundo semestre do ano que vem e depende do projeto de Orçamento, que prevê 53.530 cargos federais entre provimentos e criações.

Mesa de estudo ensolarada com livros, caderno, óculos, lápis, marca-texto e xícara de café
Mesa de estudo à luz da manhã, com livros, caderno e café para a preparação para concursos.Foto: Ouviram

A terceira edição do Concurso Nacional Unificado (CNU) deve oferecer de 2 mil a 3 mil vagas federais no segundo semestre de 2027. A previsão é da ministra da Gestão, Esther Dweck, em entrevista publicada nesta sexta-feira (30). Ainda não há edital nem data de prova.

Para quem estuda para concurso, a fala muda o horizonte. O CNU não teve edição em 2026, e até esta semana a terceira rodada não tinha estimativa oficial de tamanho. “Tudo depende de como o Orçamento vai terminar, se vamos conseguir manter (no Congresso) o espaço de concurso”, disse Dweck.

No começo da semana, o Ministério da Gestão (MGI) ainda não dava números. Em nota, a pasta afirmou que, para uma nova edição em 2027, “será necessário aguardar a aprovação da Lei Orçamentária”. Também disse que quer transformar o concurso em seleção permanente, com “edições realizadas em ciclos regulares, idealmente a cada dois anos”.

  • EdiçãoTerceira; as anteriores foram em 2024 e 2025
  • Vagas previstasDe 2 mil a 3 mil, estimativa da ministra
  • QuandoSegundo semestre de 2027, sem data oficial
  • EditalNão publicado até 30 de outubro de 2026
  • CondiçãoAprovação da Lei Orçamentária Anual de 2027 pelo Congresso
  • Quem organizaMGI e Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
  • Inscrição em 2025R$ 70, com isenção para CadÚnico, doadores de medula, Fies e Prouni
  • Salários em 2025De R$ 4.063,46 a R$ 16.413,35, sem benefícios

O CNU é a seleção em que vários órgãos federais aplicam a mesma prova, no mesmo dia, com uma inscrição só. As duas primeiras edições ofereceram 10.292 vagas nos editais, mas as nomeações foram além disso, porque o governo autorizou chamar aprovados fora das vagas previstas.

12.862

nomeações autorizadas nas duas edições do CNU, somando as vagas dos editais e as chamadas extras

Fonte: Ministério da Gestão, outubro de 2026

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Na primeira edição, foram autorizadas 8.737 nomeações para 6.640 vagas de edital; na segunda, 4.125 para 3.652, segundo balanço do Ministério da Gestão publicado em 27 de outubro de 2026. Parte dos aprovados que ficaram fora das vagas imediatas foi chamada depois.

Para a terceira edição, tudo passa pela Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027, segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. O projeto enviado ao Congresso em 31 de agosto de 2026 prevê 48.826 provimentos de cargos federais e a criação de outros 4.704, pelo Anexo V.

Provimento é a nomeação de servidores para cargos que já existem e estão vagos. O Anexo V funciona como teto: autoriza as contratações, mas não obriga o governo a fazer todas. É desse espaço que sairão as vagas do próximo CNU e dos concursos próprios de cada órgão.

O projeto está na Comissão Mista de Orçamento, onde deputados e senadores podem mudar valores antes da votação no plenário do Congresso. A Constituição manda devolver o texto para sanção até o fim da sessão legislativa, em 22 de dezembro.

Nem sempre o prazo é cumprido: a lei do Orçamento de 2025 (Lei 15.121) só foi sancionada em 10 de abril de 2025.

Depois da lei sancionada, o caminho de um concurso federal tem etapas conhecidas. O Ministério da Gestão publica no Diário Oficial da União uma portaria que autoriza as vagas de cada órgão. Em seguida vêm a contratação da banca, o edital, as inscrições e a prova.

No CNU, a execução passou para a Enap em junho de 2025, pelo Decreto 12.526. O Ministério da Gestão coordena e acompanha a política. O concurso nasceu do Decreto 11.722, de 28 de setembro de 2023, que criou o modelo e suas comissões de governança.

O governo também conversa com estados e municípios sobre o formato unificado, segundo o Ministério da Gestão. Até agora, nenhuma regra para essa adesão foi publicada, e as duas edições feitas até aqui reuniram só órgãos federais.

Do decreto à terceira edição do CNU
  • 28 de setembro de 2023Decreto 11.722 cria o Concurso Público Nacional Unificado
  • 10 de janeiro de 2024Saem os editais da primeira edição, com 6.640 vagas em 21 órgãos
  • 18 de agosto de 2024Primeira prova é aplicada em 228 cidades, depois de adiada de maio pelas enchentes no Rio Grande do Sul
  • 30 de junho de 2025Edital da segunda edição oferece 3.652 vagas em 32 órgãos
  • 5 de outubro de 2025Segunda edição aplica a prova objetiva; a discursiva vem em 7 de dezembro
  • 16 de março de 2026Ministério da Gestão divulga o resultado final da segunda edição
  • 30 de outubro de 2026Ministra prevê a terceira edição para o segundo semestre de 2027

Como funciona o CNU: uma inscrição, vários cargos

O Concurso Nacional Unificado reúne cargos de vários órgãos federais em uma única prova, aplicada no mesmo dia em 228 cidades de todos os estados, segundo o Ministério da Gestão. O candidato paga uma inscrição só e escolhe, em ordem de preferência, os cargos que quer disputar dentro de um bloco temático.

Por isso o modelo ganhou o apelido de “Enem dos concursos”, usado pelo próprio ministério. Com provas espalhadas pelo país, cerca de 95% dos brasileiros passaram a ter um local de prova a até 100 quilômetros de casa, de acordo com o MGI. Antes, quem morava longe das capitais costumava pagar passagem e hotel para disputar uma vaga federal.

Na segunda edição, os cargos foram divididos em nove blocos. Os sete primeiros eram de nível superior, e os dois últimos, de nível intermediário, o antigo nível médio.

BlocoÁreaNível
1Seguridade social: saúde, assistência social e previdênciaSuperior
2Cultura e educaçãoSuperior
3Ciências, dados e tecnologiaSuperior
4Engenharias e arquiteturaSuperior
5AdministraçãoSuperior
6Desenvolvimento socioeconômicoSuperior
7Justiça e defesaSuperior
8SaúdeIntermediário
9RegulaçãoIntermediário

Fonte: Ministério da Gestão, outubro de 2025.

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O bloco de regulação, de nível intermediário, teve o maior número de inscrições da segunda edição: 177.583. Mulheres foram 60% dos inscritos e eram maioria em todas as regiões, segundo o press kit oficial do concurso.

A seleção tem etapas comuns a todos e outras que só valem para alguns cargos. Pelo edital da segunda edição, o caminho foi este:

  1. Prova objetiva, aplicada em 5 de outubro de 2025.
  2. Prova discursiva, em 7 de dezembro de 2025, para os convocados.
  3. Avaliação de títulos, só nos cargos que a previam.
  4. Confirmação da condição de quem concorreu às vagas reservadas.
  5. Investigação social, só para analista técnico de justiça e defesa.
  6. Defesa de memorial, prova oral ou curso de formação, em cargos específicos.

Duas regras do CNU chamam atenção. A primeira garante que pelo menos metade dos chamados para a prova discursiva seja de mulheres; se a prova objetiva não chegar a esse número, mais candidatas são convocadas. “Essa medida não retira a vaga de ninguém”, diz o Ministério da Gestão: quando necessário, mais mulheres são chamadas além do número previsto.

A segunda é a reserva de vagas: a segunda edição foi o primeiro concurso federal a aplicar por inteiro a Lei 15.142, de 2025, segundo o MGI. A lei elevou a cota em concursos federais de 20% para 30%: 25% para pessoas negras, 3% para indígenas e 2% para quilombolas. Outros 5% das vagas ficam com pessoas com deficiência.

Salários e procura nas duas edições

Os salários da segunda edição do CNU iam de R$ 4.063,46 a R$ 16.413,35 por mês, segundo a tabela de cargos e remunerações do Ministério da Gestão. Os valores não incluem auxílio-alimentação, auxílio-transporte e outros benefícios dos servidores federais, pagos à parte.

O topo da tabela ficou com os especialistas da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Na outra ponta estavam os técnicos de enfermagem e de radiologia de hospitais federais no Rio de Janeiro, de nível intermediário. Em muitos cargos, o salário varia conforme a gratificação de desempenho, calculada de 80 a 100 pontos.

Sete cargos, com 80 vagas ou mais cada um, concentraram mais da metade das vagas. O de analista técnico-administrativo, sozinho, teve mil.

CargoÓrgãoVagasRemuneração mensal
Analista técnico-administrativoMinistério da Gestão1.000R$ 5.982,49 a R$ 6.818,69
Analista do seguro socialINSS300R$ 8.027,11 a R$ 9.371,31
Analista técnico de desenvolvimento socioeconômicoMinistério da Gestão250R$ 9.711,00
Analista técnico de justiça e defesaMinistério da Gestão250R$ 9.711,00
Técnico em atividades de mineraçãoAgência Nacional de Mineração80R$ 8.053,32
Assistente socialMinistério da Gestão80R$ 5.982,49 a R$ 6.818,69
Médico (20 horas semanais)Ministério da Gestão80R$ 4.804,89 a R$ 5.346,69

Fonte: Ministério da Gestão, tabela de cargos e salários da segunda edição do CNU, 2025.

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Os cargos de nível intermediário das agências reguladoras pagavam R$ 8.053,32, mais do que vários cargos de nível superior da mesma edição. Para quem tem só o ensino médio, esse é um dado útil. A vaga de técnico em regulação pede menos escolaridade e paga mais que a de analista técnico-administrativo.

As vagas e os salários de 2027 só serão conhecidos no edital. Os cargos podem mudar de uma edição para outra, porque cada órgão decide se entra no concurso unificado ou faz seleção própria.

Os concursos com edital aberto agora estão no guia de concursos públicos abertos. As seleções já autorizadas para o ano que vem estão na lista de concursos previstos para 2027.

Do lado dos candidatos, a primeira edição do CNU, em 2024, recebeu 2.114.145 inscrições para 6.640 vagas, segundo balanço do Ministério da Gestão de 27 de outubro de 2026. A segunda, em 2025, teve 761.545 inscrições para 3.652 vagas. Somadas, as duas chegam a 2.875.690 inscrições.

Indicador1ª edição (2024)2ª edição (2025)
Inscrições2.114.145761.545
Vagas nos editais6.6403.652
Órgãos participantes2132
Blocos temáticos89
Municípios com inscritos5.5554.951
Municípios com aprovados908578
Nomeações autorizadas8.7374.125

Fonte: Ministério da Gestão, outubro de 2026.

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O perfil de quem passou também mudou. As mulheres foram de 37% dos aprovados na primeira edição para 48,4% na segunda, e as pessoas negras, de 24,5% para 29,7%, segundo o MGI. Pessoas com deficiência foram 7,6% dos aprovados em 2025, e quilombolas, 1,2%.

O Rio de Janeiro e o Distrito Federal lideraram as inscrições da segunda edição, à frente de São Paulo. Pelo Censo 2022 do IBGE, o estado paulista tem quase 16 vezes a população do DF. A capital federal concentra a sede da maior parte dos órgãos da União.

Rio e Distrito Federal tiveram mais inscritos que São Paulo no CNU de 2025 (inscrições)
Rio de Janeiro108.838
Distrito Federal102.940
São Paulo77.682
Bahia65.602
Minas Gerais51.142
Pernambuco38.280
Pará35.957
Goiás27.781

Fonte: Ministério da Gestão, outubro de 2025

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Por região, o Sudeste somou 247.838 inscrições na segunda edição, e o Nordeste, 229.436. O Centro-Oeste teve 150.870, puxado pelo DF, o Norte, 84.651, e o Sul, 48.733, o menor número entre as regiões. O Acre teve a menor marca entre os estados, com 4.101 inscritos, segundo o press kit do Ministério da Gestão.

Como estudar para o CNU enquanto o edital não sai

O edital da segunda edição do CNU, publicado em 30 de junho de 2025, é o ponto de partida para quem quer se preparar para 2027. Ele mostra o formato por blocos, o conteúdo e as etapas usados até aqui. Os gabaritos da segunda edição foram publicados pela banca, a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Algumas providências não dependem do edital e evitam correria quando as inscrições abrirem:

  1. Escolha o bloco pela sua formação e pelos cargos que apareceram nas edições anteriores.
  2. Separe o edital de 2025, com o conteúdo de cada bloco, e monte um plano com as matérias comuns e as específicas.
  3. Atualize o Cadastro Único, se a sua família tem baixa renda: a Lei 13.656, de 2018, garante isenção da taxa a quem está inscrito nele.
  4. Confira se o título de eleitor está regular, porque a quitação eleitoral é exigida na posse pela Lei 8.112, de 1990.
  5. Guarde um documento oficial com foto válido; na segunda edição, valeram também os digitais, como e-Título, CNH digital e carteira de identidade digital.

Quem ainda está na faculdade não precisa esperar o diploma para se inscrever. A Súmula 266 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) diz que o diploma é exigido na posse, e não na inscrição. Um estudante que se forma no meio de 2027, por exemplo, pode fazer a prova e apresentar o diploma só na posse.

As regras gerais também mudaram com a nova lei dos concursos, que fixou normas para as seleções da União, dos estados e dos municípios. Quem tem pendência eleitoral pode resolver pelo guia de regularização do título de eleitor.

O Congresso tem até 22 de dezembro de 2026 para devolver o projeto de Orçamento de 2027 para sanção, pelo prazo da Constituição. Com a lei em vigor, o sinal oficial do concurso será a portaria de autorização do Ministério da Gestão no Diário Oficial da União, com as vagas por órgão.

A terceira edição, pela previsão da ministra Esther Dweck, fica para o segundo semestre de 2027.

Como citar: Ouviram (30 out. 2026). «CNU 2027: terceira edição do concurso unificado deve ter até 3 mil vagas». ouviram.com.br/servicos/cnu-2027-terceira-edicao-vagas-quando-salarios-como-funciona

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Servidor público pode fazer o CNU?

Pode se inscrever. Para tomar posse, precisa deixar o cargo atual, salvo nas acumulações permitidas pelo artigo 37 da Constituição, como dois cargos de professor ou dois de profissional de saúde, com horários compatíveis.

Tem idade máxima para fazer concurso federal?

A Lei 8.112/1990 exige idade mínima de 18 anos para a posse e não fixa idade máxima. A Súmula 683 do Supremo Tribunal Federal (STF) só admite limite de idade quando a natureza do cargo justifica.

Estrangeiro pode fazer o CNU?

A Lei 8.112/1990 exige nacionalidade brasileira para a posse em cargo federal. A exceção prevista em lei vale para professores, técnicos e cientistas estrangeiros em universidades e instituições federais de pesquisa.

Precisa de exame médico para tomar posse em concurso federal?

Precisa. O artigo 14 da Lei 8.112/1990 condiciona a posse a uma inspeção médica oficial, que avalia se a pessoa tem condições físicas e mentais para o cargo.

Quanto tempo vale o resultado de um concurso federal?

Até dois anos, prorrogáveis uma vez por igual período, segundo o artigo 37 da Constituição. O prazo de cada seleção aparece no edital e começa a contar na homologação do resultado.

#ConcursosPúblicos#CNU#MinistérioDaGestão#Enap#OrçamentoDe2027

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  1. 1. Quantas inscrições teve a primeira edição do CNU, em 2024?

  2. 2. Quanto custou a inscrição na segunda edição do CNU?

  3. 3. Em quantas cidades o CNU aplicou provas?

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