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Matriz elétrica brasileira: 86,8% da eletricidade vem de fontes renováveis

As hidrelétricas responderam por 51,2% da oferta em 2025, e a geração solar cresceu 24,7% em um ano, pelos dados do Balanço Energético Nacional.

Aerogeradores do parque eólico Arizona I em meio à vegetação de Rio do Fogo, no Rio Grande do Norte
Aerogeradores do parque eólico Arizona I se erguem sobre a vegetação de Rio do Fogo, no litoral potiguar, em imagem de 2019.Foto: Marcos Elias de Oliveira Júnior / Wikimedia Commons · CC0

As fontes renováveis produziram 86,8% da eletricidade disponível no Brasil em 2025, segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) de 2026, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). As hidrelétricas seguem na frente, com 51,2%, seguidas pela energia eólica, com 14,9%, e pela solar, com 11,4%.

A fatia renovável caiu 1,4 ponto percentual em relação a 2024, quando foi de 88,2%. A EPE atribui a queda à menor geração das hidrelétricas e à menor importação de energia de Itaipu, somadas ao aumento da geração a gás natural. O vento e o sol cresceram e seguraram o índice alto.

Para comparar, a média mundial era de 30,6% de eletricidade renovável em 2023, pelos dados da Agência Internacional de Energia reunidos pela EPE. Nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a fatia foi de 35,4% em 2024.

86,8%

da eletricidade ofertada no Brasil em 2025 veio de hidrelétricas, vento, sol, biomassa e importação de Itaipu

Fonte: EPE, BEN 2026

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FonteParticipação em 2024Participação em 2025Variação
Hidrelétrica55,3%51,2%−4,1 p.p.
Eólica14,1%14,9%+0,8 p.p.
Solar9,3%11,4%+2,1 p.p.
Biomassa8,1%8,4%+0,3 p.p.
Gás natural6,3%7,5%+1,2 p.p.
Carvão e derivados1,9%2,2%+0,3 p.p.
Nuclear2,1%2,0%−0,1 p.p.
Derivados de petróleo1,5%1,5%0,0 p.p.
Eletricidade importada1,5%0,9%−0,6 p.p.
Renováveis88,2%86,8%−1,4 p.p.

Fonte: EPE, Balanço Energético Nacional 2026, ano-base 2025. Biomassa inclui lenha, bagaço de cana, licor preto e biodiesel.

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  • Oferta de eletricidade em 2025783,3 TWh, alta de 2,7%
  • Fonte principalHidrelétrica, 51,2%
  • Fonte que mais cresceuSolar, 88,1 TWh, alta de 24,7%
  • Potência em operação220.924 MW em usinas centralizadas, segundo a Aneel
  • Maior usina brasileiraBelo Monte (PA), 11.233,1 MW
  • Estado do ventoBahia, 11.832 MW em parques eólicos
  • Estado do solMinas Gerais, 8.778 MW em usinas solares centralizadas

Diferença entre matriz elétrica e matriz energética

A matriz elétrica mostra só as fontes usadas para gerar eletricidade, enquanto a matriz energética soma toda a energia consumida no país, incluindo gasolina, diesel, etanol e gás de cozinha. Em 2025, a matriz energética brasileira foi 49,4% renovável, contra 86,8% da elétrica, segundo o Balanço Energético Nacional da EPE.

A distância se explica pelos transportes e pela indústria. O petróleo e seus derivados responderam sozinhos por 33,7% de toda a energia ofertada no país em 2025. O gás natural ficou com 10,3%, e o carvão mineral, com 4,5%.

Do lado renovável, a maior fatia da matriz energética não vem dos rios, mas da cana-de-açúcar. O bagaço e o etanol somaram 15,8% da oferta total de energia, à frente da energia hidráulica, com 10,7%. Depois vêm o grupo de licor preto, biodiesel e outras biomassas (8,9%) e a lenha com o carvão vegetal (8,3%).

FonteParticipação na matriz energética em 2025
Petróleo e derivados33,7%
Biomassa da cana15,8%
Hidráulica10,7%
Gás natural10,3%
Licor preto e outras renováveis8,9%
Lenha e carvão vegetal8,3%
Carvão mineral4,5%
Eólica3,0%
Solar2,7%
Urânio1,3%
Outras não renováveis0,8%

Fonte: EPE, Balanço Energético Nacional 2026, ano-base 2025.

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A oferta total de energia do país chegou a 328,5 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep) em 2025, alta de 1,9% sobre 2024. A tonelada equivalente de petróleo é a unidade que permite somar fontes diferentes, como litros de diesel e quilowatts-hora.

Na prática, cada vez que um carro roda com etanol em vez de gasolina, a matriz energética fica mais renovável. Já a eletricidade que chega às tomadas das casas tem quase nove em cada dez quilowatts-hora vindos de fontes renováveis, segundo a EPE.

Capacidade instalada por fonte, segundo a Aneel

O Brasil tem 220.924 megawatts (MW) de potência em 22.826 usinas centralizadas em operação, segundo o Sistema de Informações de Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 25 de outubro de 2026. As hidrelétricas de grande porte respondem por 46,7% dessa potência.

O cadastro da Aneel separa as usinas pelo tipo. As térmicas, que queimam gás, biomassa, óleo ou carvão, somam 22,6% da potência. Os parques eólicos têm 15,8%, e as usinas solares centralizadas, 10,8%.

Tipo de usinaPotência em operaçãoParticipaçãoNúmero de usinas
Hidrelétricas de grande porte103.242,5 MW46,7%216
Termelétricas49.888,1 MW22,6%2.996
Eólicas34.936,7 MW15,8%1.138
Solares centralizadas23.838,5 MW10,8%17.325
Pequenas centrais hidrelétricas6.090,9 MW2,8%433
Nucleares1.990,0 MW0,9%2
Centrais geradoras hidrelétricas937,8 MW0,4%716
Total220.924,4 MW100%22.826

Fonte: Aneel, Sistema de Informações de Geração (Siga), 25 de outubro de 2026. Não inclui a micro e minigeração distribuída.

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Entre as térmicas, o gás natural lidera, com 20.180 MW. A biomassa vem em seguida, com 12.662,6 MW em usinas que queimam bagaço de cana e outros resíduos agroindustriais. Outros 5.100 MW vêm da biomassa florestal, a maior parte movida a licor preto, resíduo das fábricas de celulose. Os derivados de petróleo somam 7.600,1 MW, e o carvão mineral, 3.913,7 MW.

A conta da Aneel não inclui os painéis instalados em casas, comércios e fazendas, a chamada micro e minigeração distribuída. Pelo Balanço Energético Nacional, esse segmento chegou a 44.742 MW de potência solar no fim de 2025, mais do que todas as usinas solares centralizadas juntas.

Somando tudo, a EPE calcula que a capacidade instalada do país chegou a 260.979 MW no fim de 2025, alta de 10,4% em um ano. A potência solar total, de grandes usinas e telhados, foi a 64.793 MW, com expansão de 33,7%. A eólica subiu 17,5%, para 34.707 MW.

Maiores usinas e estados que lideram em vento e sol

A maior usina totalmente brasileira é a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, com 11.233,1 MW de potência, segundo o cadastro da Aneel de outubro de 2026. Instalada entre Altamira e Vitória do Xingu e em operação desde 2016, ela fica à frente de Tucuruí, também no Pará, com 8.535 MW.

Itaipu, no rio Paraná, tem 14.000 MW no total, mas é binacional, dividida com o Paraguai. Por isso, a Aneel registra 7.000 MW, a metade brasileira, o que a coloca em terceiro lugar no cadastro. As hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, em Porto Velho (RO), completam a lista das cinco maiores.

FonteMaior usina em operaçãoLocalPotência
HidrelétricaBelo MonteAltamira e Vitória do Xingu (PA)11.233,1 MW
Térmica a gásGNA IISão João da Barra (RJ)1.672,6 MW
NuclearAngra 2Angra dos Reis (RJ)1.350 MW
SolarSerra do Mel ISerra do Mel (RN)137,5 MW
EólicaPraia Formosa e Coxilha Negra 3Camocim (CE) e Santana do Livramento (RS)105 MW cada

Fonte: Aneel, Sistema de Informações de Geração, 25 de outubro de 2026.

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Os números das usinas eólicas e solares parecem pequenos porque a Aneel registra cada parque separadamente. Um complexo eólico ou solar costuma reunir dezenas de parques vizinhos, cada um com sua própria outorga, o que soma centenas de megawatts no mesmo município.

A maior térmica do país, a GNA II, no Porto do Açu, norte fluminense, começou a operar em 31 de maio de 2025. Na energia nuclear, as duas usinas em funcionamento ficam em Angra dos Reis: Angra 1, com 640 MW, desde 1985, e Angra 2, com 1.350 MW, desde 2001. Angra 3, com a mesma potência de Angra 2, aparece no cadastro como usina em construção.

O Nordeste concentra o vento. A Bahia tem 11.832 MW em parques eólicos em operação, 33,9% do total nacional, e o Rio Grande do Norte, 10.726 MW, ou 30,7%, segundo a Aneel. Juntos, os dois estados reúnem quase dois terços da potência eólica do país.

Bahia e Rio Grande do Norte reúnem quase dois terços da energia eólica (MW em operação)
Bahia11.832
Rio Grande do Norte10.726
Piauí4.396
Ceará2.690
Rio Grande do Sul2.051
Pernambuco1.265
Paraíba1.234
Maranhão426

Fonte: Aneel, Siga, 25 de outubro de 2026

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O Rio Grande do Sul é a exceção fora do Nordeste, com 2.051 MW. Os parques gaúchos ficam no litoral, de Osório a Santa Vitória do Palmar, e na Campanha, como os de Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. Santa Catarina tem 251 MW.

Na energia solar centralizada, a liderança é de Minas Gerais, com 8.778 MW, 36,8% da potência das grandes usinas solares do país. Depois vêm Bahia (3.221 MW), Piauí (2.448 MW), Ceará (2.298 MW) e Rio Grande do Norte (2.113 MW), pelo cadastro da Aneel.

EstadoPotência solar centralizadaParticipação
Minas Gerais8.778 MW36,8%
Bahia3.221 MW13,5%
Piauí2.448 MW10,3%
Ceará2.298 MW9,6%
Rio Grande do Norte2.113 MW8,9%
Pernambuco1.505 MW6,3%
São Paulo1.225 MW5,1%
Mato Grosso do Sul905 MW3,8%

Fonte: Aneel, Siga, 25 de outubro de 2026. Não inclui painéis em telhados.

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Nos telhados, o mapa muda. A EPE aponta que a micro e minigeração distribuída se concentra no Centro-Sul, puxada por Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

A expansão deve continuar. O cadastro da Aneel lista 68.146 MW em usinas solares e 14.233 MW em parques eólicos já autorizados, mas com obras ainda não iniciadas. Em construção, há 3.768 MW em térmicas, 2.039 MW em eólicas e 1.522 MW em solares, além de Angra 3.

Para o consumidor, a mistura de fontes pesa no bolso. Quando as hidrelétricas geram menos e as térmicas entram em ação, o custo sobe, e a Aneel repassa esse sinal pela bandeira tarifária da conta de luz. O preço do quilowatt-hora também varia de região para região, como mostra o ranking da tarifa de energia por estado.

A força das hidrelétricas depende das chuvas nas cabeceiras de rios como o Paraná, o São Francisco e o Tocantins, descritos no guia dos maiores rios do Brasil. Em 2025, a oferta hidráulica caiu 5,7%, para 408,8 TWh, incluída a energia importada de Itaipu, segundo a EPE.


O Balanço Energético Nacional sai uma vez por ano, com o relatório síntese da EPE no primeiro semestre. O cadastro de usinas da Aneel é atualizado todos os dias. Dúvidas sobre a conta de luz vão primeiro à distribuidora e, sem solução, à Aneel, pelo telefone 167.

Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Matriz elétrica brasileira: 86,8% da eletricidade vem de fontes renováveis». ouviram.com.br/brasil/matriz-eletrica-brasileira-fontes-de-energia

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

O que é micro e minigeração distribuída?

É a energia produzida pelo próprio consumidor, em geral com painéis solares no telhado ou em terrenos, e ligada à rede da distribuidora. As regras estão na Lei 14.300/2022: a microgeração vai até 75 kW, e a minigeração vai daí até 3 MW nas fontes como a solar e até 5 MW nas que podem ser acionadas sob demanda.

Itaipu é do Brasil ou do Paraguai?

Itaipu é binacional e pertence aos dois países em partes iguais. A usina tem 14.000 MW, e a Aneel registra no cadastro brasileiro apenas a metade do Brasil, 7.000 MW.

Quantas usinas nucleares tem o Brasil?

Duas em operação, Angra 1, com 640 MW, e Angra 2, com 1.350 MW, em Angra dos Reis (RJ), segundo a Aneel. Angra 3, também com 1.350 MW, consta como usina em construção.

Por que a conta de luz fica mais cara quando chove pouco?

Com os reservatórios baixos, o sistema liga mais usinas térmicas, que custam mais para gerar. A Aneel sinaliza esse custo na conta pelas bandeiras tarifárias amarela e vermelha.

O que é o Sistema Interligado Nacional?

É a rede de linhas de transmissão que liga as usinas às distribuidoras de quase todo o país, operada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). As localidades fora dessa rede formam os Sistemas Isolados, a maioria na região Norte.

#MatrizElétrica#EPE#Aneel#BeloMonte#EnergiaSolar

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