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Matriz elétrica brasileira: 86,8% da eletricidade vem de fontes renováveis
As hidrelétricas responderam por 51,2% da oferta em 2025, e a geração solar cresceu 24,7% em um ano, pelos dados do Balanço Energético Nacional.

As fontes renováveis produziram 86,8% da eletricidade disponível no Brasil em 2025, segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) de 2026, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). As hidrelétricas seguem na frente, com 51,2%, seguidas pela energia eólica, com 14,9%, e pela solar, com 11,4%.
A fatia renovável caiu 1,4 ponto percentual em relação a 2024, quando foi de 88,2%. A EPE atribui a queda à menor geração das hidrelétricas e à menor importação de energia de Itaipu, somadas ao aumento da geração a gás natural. O vento e o sol cresceram e seguraram o índice alto.
Para comparar, a média mundial era de 30,6% de eletricidade renovável em 2023, pelos dados da Agência Internacional de Energia reunidos pela EPE. Nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a fatia foi de 35,4% em 2024.
86,8%
da eletricidade ofertada no Brasil em 2025 veio de hidrelétricas, vento, sol, biomassa e importação de Itaipu
Fonte: EPE, BEN 2026
| Fonte | Participação em 2024 | Participação em 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Hidrelétrica | 55,3% | 51,2% | −4,1 p.p. |
| Eólica | 14,1% | 14,9% | +0,8 p.p. |
| Solar | 9,3% | 11,4% | +2,1 p.p. |
| Biomassa | 8,1% | 8,4% | +0,3 p.p. |
| Gás natural | 6,3% | 7,5% | +1,2 p.p. |
| Carvão e derivados | 1,9% | 2,2% | +0,3 p.p. |
| Nuclear | 2,1% | 2,0% | −0,1 p.p. |
| Derivados de petróleo | 1,5% | 1,5% | 0,0 p.p. |
| Eletricidade importada | 1,5% | 0,9% | −0,6 p.p. |
| Renováveis | 88,2% | 86,8% | −1,4 p.p. |
Fonte: EPE, Balanço Energético Nacional 2026, ano-base 2025. Biomassa inclui lenha, bagaço de cana, licor preto e biodiesel.
- Oferta de eletricidade em 2025783,3 TWh, alta de 2,7%
- Fonte principalHidrelétrica, 51,2%
- Fonte que mais cresceuSolar, 88,1 TWh, alta de 24,7%
- Potência em operação220.924 MW em usinas centralizadas, segundo a Aneel
- Maior usina brasileiraBelo Monte (PA), 11.233,1 MW
- Estado do ventoBahia, 11.832 MW em parques eólicos
- Estado do solMinas Gerais, 8.778 MW em usinas solares centralizadas
Diferença entre matriz elétrica e matriz energética
A matriz elétrica mostra só as fontes usadas para gerar eletricidade, enquanto a matriz energética soma toda a energia consumida no país, incluindo gasolina, diesel, etanol e gás de cozinha. Em 2025, a matriz energética brasileira foi 49,4% renovável, contra 86,8% da elétrica, segundo o Balanço Energético Nacional da EPE.
A distância se explica pelos transportes e pela indústria. O petróleo e seus derivados responderam sozinhos por 33,7% de toda a energia ofertada no país em 2025. O gás natural ficou com 10,3%, e o carvão mineral, com 4,5%.
Do lado renovável, a maior fatia da matriz energética não vem dos rios, mas da cana-de-açúcar. O bagaço e o etanol somaram 15,8% da oferta total de energia, à frente da energia hidráulica, com 10,7%. Depois vêm o grupo de licor preto, biodiesel e outras biomassas (8,9%) e a lenha com o carvão vegetal (8,3%).
| Fonte | Participação na matriz energética em 2025 |
|---|---|
| Petróleo e derivados | 33,7% |
| Biomassa da cana | 15,8% |
| Hidráulica | 10,7% |
| Gás natural | 10,3% |
| Licor preto e outras renováveis | 8,9% |
| Lenha e carvão vegetal | 8,3% |
| Carvão mineral | 4,5% |
| Eólica | 3,0% |
| Solar | 2,7% |
| Urânio | 1,3% |
| Outras não renováveis | 0,8% |
Fonte: EPE, Balanço Energético Nacional 2026, ano-base 2025.
A oferta total de energia do país chegou a 328,5 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep) em 2025, alta de 1,9% sobre 2024. A tonelada equivalente de petróleo é a unidade que permite somar fontes diferentes, como litros de diesel e quilowatts-hora.
Na prática, cada vez que um carro roda com etanol em vez de gasolina, a matriz energética fica mais renovável. Já a eletricidade que chega às tomadas das casas tem quase nove em cada dez quilowatts-hora vindos de fontes renováveis, segundo a EPE.
Capacidade instalada por fonte, segundo a Aneel
O Brasil tem 220.924 megawatts (MW) de potência em 22.826 usinas centralizadas em operação, segundo o Sistema de Informações de Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 25 de outubro de 2026. As hidrelétricas de grande porte respondem por 46,7% dessa potência.
O cadastro da Aneel separa as usinas pelo tipo. As térmicas, que queimam gás, biomassa, óleo ou carvão, somam 22,6% da potência. Os parques eólicos têm 15,8%, e as usinas solares centralizadas, 10,8%.
| Tipo de usina | Potência em operação | Participação | Número de usinas |
|---|---|---|---|
| Hidrelétricas de grande porte | 103.242,5 MW | 46,7% | 216 |
| Termelétricas | 49.888,1 MW | 22,6% | 2.996 |
| Eólicas | 34.936,7 MW | 15,8% | 1.138 |
| Solares centralizadas | 23.838,5 MW | 10,8% | 17.325 |
| Pequenas centrais hidrelétricas | 6.090,9 MW | 2,8% | 433 |
| Nucleares | 1.990,0 MW | 0,9% | 2 |
| Centrais geradoras hidrelétricas | 937,8 MW | 0,4% | 716 |
| Total | 220.924,4 MW | 100% | 22.826 |
Fonte: Aneel, Sistema de Informações de Geração (Siga), 25 de outubro de 2026. Não inclui a micro e minigeração distribuída.
Entre as térmicas, o gás natural lidera, com 20.180 MW. A biomassa vem em seguida, com 12.662,6 MW em usinas que queimam bagaço de cana e outros resíduos agroindustriais. Outros 5.100 MW vêm da biomassa florestal, a maior parte movida a licor preto, resíduo das fábricas de celulose. Os derivados de petróleo somam 7.600,1 MW, e o carvão mineral, 3.913,7 MW.
A conta da Aneel não inclui os painéis instalados em casas, comércios e fazendas, a chamada micro e minigeração distribuída. Pelo Balanço Energético Nacional, esse segmento chegou a 44.742 MW de potência solar no fim de 2025, mais do que todas as usinas solares centralizadas juntas.
Somando tudo, a EPE calcula que a capacidade instalada do país chegou a 260.979 MW no fim de 2025, alta de 10,4% em um ano. A potência solar total, de grandes usinas e telhados, foi a 64.793 MW, com expansão de 33,7%. A eólica subiu 17,5%, para 34.707 MW.
Maiores usinas e estados que lideram em vento e sol
A maior usina totalmente brasileira é a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, com 11.233,1 MW de potência, segundo o cadastro da Aneel de outubro de 2026. Instalada entre Altamira e Vitória do Xingu e em operação desde 2016, ela fica à frente de Tucuruí, também no Pará, com 8.535 MW.
Itaipu, no rio Paraná, tem 14.000 MW no total, mas é binacional, dividida com o Paraguai. Por isso, a Aneel registra 7.000 MW, a metade brasileira, o que a coloca em terceiro lugar no cadastro. As hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, em Porto Velho (RO), completam a lista das cinco maiores.
| Fonte | Maior usina em operação | Local | Potência |
|---|---|---|---|
| Hidrelétrica | Belo Monte | Altamira e Vitória do Xingu (PA) | 11.233,1 MW |
| Térmica a gás | GNA II | São João da Barra (RJ) | 1.672,6 MW |
| Nuclear | Angra 2 | Angra dos Reis (RJ) | 1.350 MW |
| Solar | Serra do Mel I | Serra do Mel (RN) | 137,5 MW |
| Eólica | Praia Formosa e Coxilha Negra 3 | Camocim (CE) e Santana do Livramento (RS) | 105 MW cada |
Fonte: Aneel, Sistema de Informações de Geração, 25 de outubro de 2026.
Os números das usinas eólicas e solares parecem pequenos porque a Aneel registra cada parque separadamente. Um complexo eólico ou solar costuma reunir dezenas de parques vizinhos, cada um com sua própria outorga, o que soma centenas de megawatts no mesmo município.
A maior térmica do país, a GNA II, no Porto do Açu, norte fluminense, começou a operar em 31 de maio de 2025. Na energia nuclear, as duas usinas em funcionamento ficam em Angra dos Reis: Angra 1, com 640 MW, desde 1985, e Angra 2, com 1.350 MW, desde 2001. Angra 3, com a mesma potência de Angra 2, aparece no cadastro como usina em construção.
O Nordeste concentra o vento. A Bahia tem 11.832 MW em parques eólicos em operação, 33,9% do total nacional, e o Rio Grande do Norte, 10.726 MW, ou 30,7%, segundo a Aneel. Juntos, os dois estados reúnem quase dois terços da potência eólica do país.
Fonte: Aneel, Siga, 25 de outubro de 2026
O Rio Grande do Sul é a exceção fora do Nordeste, com 2.051 MW. Os parques gaúchos ficam no litoral, de Osório a Santa Vitória do Palmar, e na Campanha, como os de Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. Santa Catarina tem 251 MW.
Na energia solar centralizada, a liderança é de Minas Gerais, com 8.778 MW, 36,8% da potência das grandes usinas solares do país. Depois vêm Bahia (3.221 MW), Piauí (2.448 MW), Ceará (2.298 MW) e Rio Grande do Norte (2.113 MW), pelo cadastro da Aneel.
| Estado | Potência solar centralizada | Participação |
|---|---|---|
| Minas Gerais | 8.778 MW | 36,8% |
| Bahia | 3.221 MW | 13,5% |
| Piauí | 2.448 MW | 10,3% |
| Ceará | 2.298 MW | 9,6% |
| Rio Grande do Norte | 2.113 MW | 8,9% |
| Pernambuco | 1.505 MW | 6,3% |
| São Paulo | 1.225 MW | 5,1% |
| Mato Grosso do Sul | 905 MW | 3,8% |
Fonte: Aneel, Siga, 25 de outubro de 2026. Não inclui painéis em telhados.
Nos telhados, o mapa muda. A EPE aponta que a micro e minigeração distribuída se concentra no Centro-Sul, puxada por Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
A expansão deve continuar. O cadastro da Aneel lista 68.146 MW em usinas solares e 14.233 MW em parques eólicos já autorizados, mas com obras ainda não iniciadas. Em construção, há 3.768 MW em térmicas, 2.039 MW em eólicas e 1.522 MW em solares, além de Angra 3.
Para o consumidor, a mistura de fontes pesa no bolso. Quando as hidrelétricas geram menos e as térmicas entram em ação, o custo sobe, e a Aneel repassa esse sinal pela bandeira tarifária da conta de luz. O preço do quilowatt-hora também varia de região para região, como mostra o ranking da tarifa de energia por estado.
A força das hidrelétricas depende das chuvas nas cabeceiras de rios como o Paraná, o São Francisco e o Tocantins, descritos no guia dos maiores rios do Brasil. Em 2025, a oferta hidráulica caiu 5,7%, para 408,8 TWh, incluída a energia importada de Itaipu, segundo a EPE.
O Balanço Energético Nacional sai uma vez por ano, com o relatório síntese da EPE no primeiro semestre. O cadastro de usinas da Aneel é atualizado todos os dias. Dúvidas sobre a conta de luz vão primeiro à distribuidora e, sem solução, à Aneel, pelo telefone 167.
Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Matriz elétrica brasileira: 86,8% da eletricidade vem de fontes renováveis». ouviram.com.br/brasil/matriz-eletrica-brasileira-fontes-de-energia
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
O que é micro e minigeração distribuída?
É a energia produzida pelo próprio consumidor, em geral com painéis solares no telhado ou em terrenos, e ligada à rede da distribuidora. As regras estão na Lei 14.300/2022: a microgeração vai até 75 kW, e a minigeração vai daí até 3 MW nas fontes como a solar e até 5 MW nas que podem ser acionadas sob demanda.
Itaipu é do Brasil ou do Paraguai?
Itaipu é binacional e pertence aos dois países em partes iguais. A usina tem 14.000 MW, e a Aneel registra no cadastro brasileiro apenas a metade do Brasil, 7.000 MW.
Quantas usinas nucleares tem o Brasil?
Duas em operação, Angra 1, com 640 MW, e Angra 2, com 1.350 MW, em Angra dos Reis (RJ), segundo a Aneel. Angra 3, também com 1.350 MW, consta como usina em construção.
Por que a conta de luz fica mais cara quando chove pouco?
Com os reservatórios baixos, o sistema liga mais usinas térmicas, que custam mais para gerar. A Aneel sinaliza esse custo na conta pelas bandeiras tarifárias amarela e vermelha.
O que é o Sistema Interligado Nacional?
É a rede de linhas de transmissão que liga as usinas às distribuidoras de quase todo o país, operada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). As localidades fora dessa rede formam os Sistemas Isolados, a maioria na região Norte.
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1. Qual fonte gera mais eletricidade no Brasil?
As hidrelétricas responderam por 51,2% da oferta interna de eletricidade em 2025, segundo a EPE.
2. Qual é a maior usina totalmente brasileira em potência?
Belo Monte, no rio Xingu (PA), tem 11.233,1 MW, segundo o cadastro da Aneel.
3. Qual estado tem mais potência eólica instalada?
A Bahia tem 11.832 MW em parques eólicos em operação, 33,9% do total do país, segundo a Aneel.
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